Tecnologias Digitais Para Quem? Desafios às
políticas sociais
RESUMO
O livro "Tecnologias Digitais Para Quem? Desafios às políticas sociais" (2026), organizado por Rita Cavalcante, Rodrigo José Teixeira e Juliana Flores Vaz Figueiredo, reúne artigos críticos sob a perspectiva da economia política marxista para investigar o impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e da dataficação na sociedade brasileira contemporânea. A obra divide-se em três partes encadeadas: a primeira analisa a relação entre trabalho e tecnologia, discutindo desde as dez expressões do fetichismo tecnológico e do determinismo algorítmico até a precarização do trabalho de influenciadores digitais e o uso estratégico do ciberativismo por mulheres negras para a construção de contra-hegemonias antirracistas. A segunda seção enfoca o Estado e as políticas sociais, demonstrando como o discurso da transparência e do "governo aberto" atua, na verdade, facilitando a transferência de fundos públicos para Big Techs estrangeiras e convertendo a pobreza em dados quantificáveis; também examina como a digitalização de serviços estatais (como os do INSS e do BPC) impõe barreiras cognitivas, materiais e linguísticas, gerando a exclusão digital como uma nova expressão da questão social. Por fim, a terceira parte debate o exercício do Serviço Social frente à racionalidade neoliberal gerencialista, analisando os dilemas da autonomia profissional diante do produtivismo algorítmico, a racialização penal por tecnologias de vigilância e a reestruturação das rotinas de trabalho no Poder Judiciário. Em suma, a coletânea denuncia que a tecnologia não é neutra, mas um campo de disputas políticas e éticas, no qual os avanços digitais frequentemente servem à acumulação capitalista e à restrição de direitos em vez da emancipação humana.
SUMÁRIO
PREFÁCIO
Yolanda Guerra
APRESENTAÇÃO
Rita Cavalcante - Rodrigo José Teixeira - Juliana Flores Vaz Figueiredo
PARTE I - TRABALHO E TECNOLOGIA: PLATAFORMAS, REDES SOCIAIS E RESISTÊNCIAS
CAPÍTULO 1 - A FERRAMENTA E SEU FEITIÇO: EXPRESSÕES CONTEMPORÂNEAS DO FETICHISMO DA TECNOLOGIA
Gustavo Monlevad
CAPÍTULO 2 - PLATAFORMAS DE REDES SOCIAIS: O PROTAGONISMO DOS CRIADORES DE CONTEÚDO
Luana Matos do Nascimento
CAPÍTULO 3 - AUTODEFINIÇÃO, CIBERATIVISMO E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: ESTRATÉGIAS POLÍTICAS DE MULHERES NEGRAS
Monique Britto Eleotério
PARTE II - O ESTADO E AS POLÍTICAS SOCIAIS: A QUE SERVEM AS TECNOLOGIAS DIGITAIS?
CAPÍTULO 4 - SOB O SIGNO DA TRANSPARÊNCIA: GOVERNO ABERTO E A DATAFICAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS NO
BRASIL
Luis Eduardo Fernandes
CAPÍTULO 5 - O ESTADO DIGITAL: ENTRE A INFORMATIZAÇÃO E A DATAFICAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS
Germano Molardi
CAPÍTULO 6 - QUANDO A POBREZA VIRA DADO: DATAFICAÇÃO, ESTADO E POLÍTICAS SOCIAIS
Ubiratan de Souza Dias Junior
CAPÍTULO 7 - A “TRANSFORMAÇÃO DIGITAL” E O ESTADO OPERADOR DA APROPRIAÇÃO ECONÔMICA DE DADOS
Luiza de Moraes Marques
CAPÍTULO 8 - A DESIGUALDADE DIGITAL NO ACESSO AO BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA: UMA NOVA
EXPRESSÃO DA QUESTÃO SOCIAL?
André Caesar G. Gonçalves - Juliana Flores V. Figueiredo
PARTE III - SERVIÇO SOCIAL, TRABALHO PROFISSIONAL E TECNOLOGIAS DIGITAIS
CAPÍTULO 9 - RACIONALIDADE NEOLIBERAL GERENCIAL, SUBORDINAÇÃO TECNOLÓGICA E SERVIÇO SOCIAL
Rita de Cássia Salgado Gomes
CAPÍTULO 10 - AUTONOMIA E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO TRABALHO DO SERVIÇO
SOCIAL: CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROJETO ÉTICOPOLÍTICO
Erika Schreider
CAPÍTULO 11 - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E RACIALIZAÇÃO PENAL
Jessica Braga de Oliveira
CAPÍTULO 12 - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E RECONFIGURAÇÕES DO TRABALHO DAS/OS ASSISTENTES SOCIAIS NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Carolina Sthefany Sampaio
SOBRE AS(OS) AUTORAS(ES) E ORGANIZADORAS(ES)













