Os/as trabalhadores/as estudantes da EJA e as desigualdades de classe e raça no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro
RESUMO
Este livro investiga como as desigualdades sociais, raciais e socioespaciais do Rio de Janeiro influenciam o acesso, a permanência e a conclusão dos estudos por trabalhadores e trabalhadoras da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A pesquisa se concentra em uma escola municipal de Botafogo, frequentada majoritariamente por estudantes de comunidades como Santa Marta, Rocinha e Vidigal.
O texto contextualiza a trajetória da EJA no Brasil e apresenta o PEJA, programa da rede municipal do Rio de Janeiro criado em 1985. Ao longo de sua história, o programa passou por mudanças, períodos de expansão e retração e, desde 2005, atende também pessoas adultas. A pesquisa destaca sua importância como política pública para quem não iniciou ou não conseguiu concluir o Ensino Fundamental na idade considerada regular.
Com base em questionários e grupos focais, o estudo procura compreender como fatores cotidianos afetam a vida escolar dos estudantes. Entre os desafios mencionados estão:
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Longas distâncias entre moradia, trabalho e escola;
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Cansaço e jornadas de trabalho, muitas vezes informais ou precárias;
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Violência e dificuldades de mobilidade urbana;
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Problemas de infraestrutura na escola e no território, como falhas no transporte local;
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Desigualdades raciais, que se articulam às condições de classe e à segregação urbana.
A pesquisa também ressalta que a escola pode representar mais do que um lugar de aprendizagem: é um espaço de reconhecimento, participação e possibilidade de transformação. As falas dos estudantes revelam o valor de serem ouvidos e de retomarem os estudos, mas também mostram que permanecer na escola pode exigir grandes sacrifícios — como aceitar mais trabalho ou enfrentar deslocamentos difíceis.
Em síntese, o livro argumenta que o percurso escolar na EJA não depende apenas da vontade individual. Ele é condicionado por desigualdades estruturais que atravessam o território, o trabalho, a raça e as condições de vida. Para garantir acesso, permanência e conclusão, são necessárias políticas educacionais que considerem a realidade concreta dos estudantes e ofereçam condições efetivas para que possam estudar.













