NAVEGANDO PUBLICAÇÕES 

Uma Editora vinculada ao Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil" - Histedbr - voltada à publicação de e-books para distribuição gratuita e livros impressos sobre temas científicos.

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Coleções

História da Educação, Intelectuais e Instituições Escolares 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO

Jose Luis Sanfelice

João Carlos da Silva

Eraldo Leme Batista

 

Esta coletânea intitulada História da educação, intelectuais e instituições escolares traz contribuições de pesquisadores de diferentes regiões do Brasil articulados em redes de pesquisa que abordam a temática em tela. Reúne textos de autores de renome bem como de pesquisadores mais jovens que vêm se debruçando neste estudo de forma coerente e consistente. Originalmente os textos foram publicados na Revista Educere et Educare, vinculada ao Programa de Pós-graduação em educação da UNIOESTE, Campus Cascavel.  Nesta publicação privilegiamos os artigos articulados estritamente a temática deste Dossiê.

Segundo Saviani (2007), o conceito do termo instituição origina-se do latim institutio, onis, e apresenta uma variação de significados, podendo caracterizar-se como sendo: plano, disposição, ordenação, instrução, criação, método e /ou sistema. Entende-se que o termo “instituição”, em sentido geral, compreende algo que não está concebido naturalmente, ou seja, pronto, mas que é produzido e constituído pela ação do homem. O termo exige uma definição em sua essência, pelo fato de que o homem cria muitas coisas de diferentes tipos, que nem sempre são instituições. Além disso, a instituição é representada por uma estrutura material, organizada para atender a determinada necessidade humana.

Em síntese, as instituições escolares surgem para atender determinadas necessidades humanas, contudo não é toda e qualquer necessidade que requer a existência de uma instituição, pois o homem na procura de suas necessidades realiza-as num primeiro momento, como atividade espontânea e informal. É somente no processo que determina que uma atividade se institucionalize, e que desta forma se constitua, para satisfazer muito mais do que uma necessidade emergencial. A intencionalidade de pesquisa acerca da instituição escolar deve ser entendida mediante princípios delineados para além do interior de uma instituição escolar, ou seja, a partir das condições materiais que o fizeram ser produzido. Diante destas premissas o presente dossiê está composto com os seguintes artigos e discussões:

Abrimos com o texto de Peter Johann Mainka intitulado Universidades alemãs e o “processo de Bolonha” em que focaliza as universidades alemãs nos séculos XX e XXI, em que discute a massificação do ensino superior a partir das décadas de 60 e 70 do século XX e da globalização do mundo e as reformas fundamentais do sistema universitário europeu, reformas que estão sendo realizadas pelo Processo de Bolonha desde 1999 no âmbito europeu.

Jose Maria Paiva em História da Educação, tem como objeto a História da Educação vista, em primeiro lugar, num plano teórico e, em segundo lugar, relacionando-a à experiência no Brasil, explicitando o que se entende por história e o que se entende por educação. O autor justifica a escolha do tema pelo lugar que a História não tem nem no processo educativo, nem no elenco curricular, ao ser tratada como apêndice ilustrativo do conteúdo de disciplinas mais importantes, como Filosofia, Sociologia, Economia entre outras.

Maria Elisabeth Blanck Miguel em “Intelectual” enquanto atributo do professor trata do professor enquanto intelectual. Toma como referência para reflexão as abordagens que nesse sentido são feitas pela Escola Nova no Brasil, particularmente no Paraná, na perspectiva de Erasmo Pilotto (1938-1946) a partir dos referenciais de Gramsci.

No texto Reconstrução histórica das instituições escolares brasileiras: o estado do conhecimento, Maria Isabel Moura Nascimento e Aline Cristina Schram fazem uma reflexão sobre as pesquisas feitas em nível de pós-graduação, fazendo uma ação na área de história da educação e especialmente na história das instituições escolares. Para isso, realizam um levantamento das pesquisas encontradas no Banco de teses e dissertações da CAPES no período de 1987 a 2012, a fim de perceber o estado do conhecimento em que está o objeto de estudo que foi desenvolvido na pesquisa de dissertação.

Em A organização da Educação no Território Federal do Iguaçu no ano de 1946: contribuições de Laudímia Trotta, Lucimara Lemiechek e André Paulo Castanha, analisam a situação da educação no Território Federal do Iguaçu bem como o papel exercido por Laudímia Trotta na organização e reestruturação da educação do Território entre os meses de abril a setembro de 1946.

Cézar de Alencar Arnaut de Toledo e Rodrigo Pinto de Andrade no texto Caracterização do acervo do Museu Histórico Willy Barth, de Toledo e a pesquisa sobre história da educação na Região Oeste do Paraná, discutem a importância do acervo do Museu Histórico Willy Barth, localizado no município de Toledo-PR, referência para pesquisas sobre a colonização e a escolarização da região Oeste do Paraná, como fonte para pesquisa sobre a História da Educação na região Oeste do Paraná. O fato de ser uma região de colonização recente – década de 1940 – quando comparada ao restante do estado do Paraná, contribuiu para o tardio surgimento de uma cultura de preservação da memória da coletividade.

A escola em Sorocaba no período do Império de Vânia Regina Boschetti e Wilson Sandano investigam como ocorreu, historicamente, a formação e a institucionalização do processo de educação escolar de Sorocaba durante o Império, destacandoadécadade1880. Este é um período de transição do sistema agrário-comercial para o urbano-industrial, quando ocorre o início da industrialização em Sorocaba, o aumento da imigração e o crescimento da população urbana.

Carlos Lucena e Lurdes Lucena no texto Os intelectuais católicos, a imprensa e a crítica ao comunismo no Triângulo Mineiro na década de 1930 demonstram as disputas políticas e educacionais que ocorreram entre liberais e católicos no Triangulo Mineiro. Analisam que apesar das diferenças entre ambas concepções, a crítica ao comunismo soviético foi comum em ambos os segmentos.

O artigo História do Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal (1953-1975): um olhar analítico sobre a formação do corpo docente, das autoras Viviane de Oliveira Berloffa Caraçato, Maria Angélica Olivo Francisco Lucas e Maria Cristina Gomes Machado, desenvolvem análises acerca da formação do corpo docente do Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal, a fim de verificar a qualificação dos profissionais que nele atuaram. As reflexões que o constituem fazem parte de uma pesquisa mais ampla acerca da história da referida instituição de ensino, situada no município de Maringá-PR, que visava reconstituir seu processo histórico a partir de 1953, ano de sua criação, a 1975. Elege como procedimentos metodológicos a pesquisa bibliográfica, documental e a realização de entrevistas semiestruturadas.

No texto Fontes para a história das instituições escolares no Norte Pioneiro do Paraná: reflexões sobre um itinerário de pesquisa, Flávio Massami Martins Ruckstadter e Vanessa Campos Mariano Ruckstadter discutem os aspectos do fazer historiográfico no âmbito da História da Educação, especialmente sobre a temática das fontes para a pesquisa sobre a história das instituições escolares. Trata-se de uma discussão acerca das fontes para o estudo das instituições escolares na mesorregião do estado do Paraná denominada Norte Pioneiro.

Juan Mantovani e Anísio Teixeira: intelectuais da Escola Nova no Brasil e na Argentina de autoria de Maria Cristina Nunes Cabral e Lívia Diana Rocha Magalhães analisam o processo do desenvolvimento de concepções educacionais baseadas nas concepções teórico-políticas da Escola Nova, visando a formação de um “homem novo” para uma sociedade direcionada para a modernidade. Destaca nesta linha a trajetória de Juan Mantovani na Argentina e Anísio Teixeira no Brasil, tendo em vista que os mesmos atuaram nos cargos, funções, implantação de escolas, deixaram uma produção considerável, tomando como referência a pedagogia da escola nova, particularmente baseada em John Dewey (1859-1952).

Thaís Damaris da Rocha Thomazini e Paulino José Orso em O processo de transformação social e a participação feminina na educação do Oeste do Paraná, refletem sobre o processo de transformação na atividade docente que ocorreu de forma mais ampla, trata do processo de feminização do magistério no Oeste do Paraná. Conclui que o aumento, senão o domínio quase que absoluto, da participação da mulher no trabalho docente, está articulado às mudanças que ocorreram no espaço da produção como um todo a partir do desenvolvimento da sociedade capitalista.

No artigo História da escola pública: levantamento de fontes e produção acadêmica na região Oeste do Paraná, João Carlos da Silva e Eraldo Leme Batista apresentam uma reflexão acerca do levantamento de fontes e a produção acadêmica acerca da história da educação no Oeste do Paraná. Discute os esforços no desenvolvimento da pesquisa no campo da história das instituições somente como possibilidade de escrever uma história da educação brasileira, com pesquisas de qualidade ao levar em conta as especificidades regionais e locais, num movimento que articule elementos entre o geral e o particular.

Finalizando esta coletânea apresentamos uma entrevista com Dermeval Saviani tratando sobre os desafios da pesquisa em história da educação. Por fim, gostaríamos de agradecer, especialmente ao editorial da Revista Educere et Educare pelo convite de organizar este Dossiê. Certamente que o conjunto dos artigos representa um consistente panorama acerca da produção sobre História da educação, intelectuais e instituições escolares. Desejamos a todos uma excelente leitura.